[Empresarial] Jorge Gerdau Johannpeter

Jorge Gerdau, 62 anos, dono de 16 siderúrgicas que faturam R$ 2,27 bilhões por ano, produzindo 6,6 milhões de toneladas de aço no Brasil, na Argentina, no Uruguai, no Chile e no Canadá, pode ser visto quebrando as ondas no paraíso particular.”O esporte prepara para enfrentar desafios. É a psicose de bater recordes. Sou um ser competitivo e fanático pela qualidade.”
Os Gerdau que saíram de Hamburgo, na Alemanha, com destino ao Brasil, em 1869, eram igualmente fanáticos pela superação. “Existia a disposição de tomada de risco, de aventura”, afirma o empresário. O bisavô João era agricultor e dono de um armazém que abastecia a colônia alemã fixada em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Em 1901, João abriu em Porto Alegre uma fábrica de pregos com o filho Hugo. Era uma empresa familiar estável que só passou a enfrentar dificuldades para obter matéria-prima nos anos 40 por causa da Segunda Guerra Mundial.
Nessa altura, o comando estava nas mãos do alemão Curt, genro de Hugo, que num lance audacioso comprou a Siderúrgica Riograndense para solucionar o suprimento de aço e produzir os pregos.
Visão pragmática
O velho Curt era um sujeito gentil, mas inflexível. Negava-se a assinar uma carta se a datilografia não fosse impecável. Para preencher os postos importantes, mais do que o parentesco, importava a dedicação profissional. “Quem os desejar que apresente suas credenciais. Vencerão os mais capazes”, dizia. Jorge Gerdau, terceiro filho de Curt -, nasceu a 8 de dezembro de 1936 – entendeu o recado. Aos 14 anos, no período de férias escolares, debutou na fábric.a operando as máquinas de produzir pregos. “Construí uma visão extremamente pragmática graças ao convívio com os operários.” Depois, passou a estudar contabilidade à noite, enquanto trabalhava à tarde no escritório aprendendo a tirar notas fiscais. Com 20 e poucos anos, estudante de Direito, já integrava a Federação das Indústrias gaúchas. Formou-se em 1961, e passou por todas as áreas da empresa até assumir a presidência do grupo em 1983
Desde a década de 60, quando auxiliava o pai na condução dos negócios, tinha claro que o dilema era crescer ou definhar. A expansão iniciou com a compra da Fábrica de Arames São Judas (SP). Depois, foi a vez da Siderúrgica Açonorte (PE). Em 1972, assumiu a Companhia Siderúrgica da Guanabara (Cosigua). A partir daí, o grupo não parou mais. “Assim como, há 30 anos, entendia que era preciso sair do Rio Grande, hoje estou convencido de que é necessário ultrapassar a fronteira do País para não perder a competitividade.” A Gerdau é hoje a 35ª no ranking mundial da siderurgia.
Busca de eficiência
Gerdau lidera a Associação Qualidade RS, movimento que tenta agregar eficiência a instituições públicas e privadas. Reduziu, por exemplo, o tempo de espera para atendimento na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre de oito horas para 13 minutos. Investe ainda em arte, “pelo prazer que me dá”, especialmente na Fundação Iberê Camargo, preservando a obra do artista plástico gaúcho. Sobra tempo ainda para tocar a Ação Empresarial Brasileira, que pretende achar uma saída econômica para o País.
Jorge Gerdau marcou na semana passada a data para passar o bastão de presidente-executivo do Grupo Gerdau. Será em 1° de Janeiro de 2007. O substituto ainda está indefinido, mas o filho, André Gerdau, e o sobrinho, Cláudio Gerdau, estão no topo da lista. Seja quem for o novo comandante do grupo, uma coisa é certa: vai pegar uma empresa muito sólida. São 30 fábricas (11 no Brasil e 19 espalhadas pela América do Sul, América do Norte e Europa) e 27,5 mil funcionários, responsáveis por um faturamento global de R$ 25,5 bilhões. Nos últimos 20 anos, sob a batuta de Jorge, as vendas da empresa cresceram sete vezes. A média mundial avançou 1,5 vez.
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| Print article | This entry was posted by admin on March 11, 2009 at 11:37 am, and is filed under Empresarial. Follow any responses to this post through RSS 2.0. You can leave a response or trackback from your own site. |




