Guia de compras de reprodutores Blu-ray – Dicas para comprar o aparelho certo
Noções básicas
Vídeo e áudio em alta definição. É isso que você vai ter com o disco Blu-ray, um formato de disco óptico capaz de levar a experiência do cinema para a TV de casa – seja tela de plasma, LCD ou CRT. Desenvolvido pela Blu-ray Disc Association, grupo representante dos fabricantes de eletrônicos e PCs e produtoras de filmes, esse novo formato representa um salto em qualidade de gravação e regravação de dados multimídia.
Para ter uma idéia desse avanço, basta comparar a qualidade de áudio do CD e do disco de vinil. O disco Blu-ray faz a mesma coisa em relação ao DVD atual, mas não apenas com o áudio. Também o vídeo dá um salto fantástico na qualidade. O Blu-ray permite gravar em um único disco vídeo de alta definição, com todos os detalhes deixados de lado no formato DVD por pura falta de espaço. Assim como o CD oferecia maior capacidade de armazenamento que o vinil, o Blu-ray armazena cinco vezes mais dados que o atual DVD. Em um único disco é possível armazenar de 25 GB a 50 GB de dados, enquanto em um DVD comum só cabem de 4,7 GB a 8,5 GB de dados. Em Blu-ray é possível ter, por exemplo, a trilogia “O Senhor dos Anéis” em um único disco com toda a riqueza de detalhes de som e imagem e todos os extras. Em um DVD, cada filme da trilogia está em um disco, e os extras, em outro. Como isso é possível?
Os discos ópticos, como o CD e o DVD, têm leitura e gravação baseadas em raio laser (o grande responsável pela maior qualidade de som e imagem obtidas nesse formato). A tecnologia Blu-ray também utiliza laser, mas um tipo diferente para ler e gravar dados no disco óptico. Enquanto o DVD, o DVD+R, o DVD+RW se baseiam no laser vermelho para ler e gravar dados, o Blu-ray usa o laser azul-violeta para a mesma função. Com um comprimento de onda mais curto e fino que o vermelho, o laser azul-violeta pode ser direcionado no disco com maior precisão.
O resultado é que os dados podem ficar mais apertadinhos nas trilhas do disco, ocupando menos espaço e possibilitando a inclusão de detalhes que antes eram obrigados a ficar de fora por não caberem no disco.
Como comprar
Os primeiros reprodutores de Blu-ray disc chegaram ao mercado em 2007. Hoje, já é possível encontrar no mercado vários modelos e marcas de reprodutores a preços acessíveis. Alguns computadores e consoles de videogame, como o Playstation 3, também conseguem reproduzir o formato. Antes de sair às compras, porém, tenha em mente que:
- Se o seu televisor for o tradicional aparelho de tubo (CRT), é melhor nem gastar dinheiro com o reprodutor Blu-ray. Isto porque a compra de um player envolve a aquisição de uma TV full HD. Com um televisor CRT, a qualidade de som e imagem de um Blu-ray não seria aproveitada. Comparativamente, seria como ver um filme gravado em CD-ROM utilizando um player de DVD.
- Se a sua coleção de DVDs for grande, você pode não conseguir reproduzi-la no Blu-ray player. Não que os formatos sejam incompatíveis. É que, assim como os aparelhos de DVD, também os de Blu-ray estão divididos por regiões para evitar pirataria. Os aparelhos Blu-ray vendidos no Brasil têm código A (1) , o mesmo para os países da América do Norte, América do Sul e Ásia (exceto China). Os de DVD têm código 4, que engloba Austrália, Nova Zelândia, Ilhas do Pacífico, América Central, América do Sul e Caraíbas. Como o código da mídia e do aparelho devem coincidir para a reprodução funcionar, é possível que os DVDs da região quatro não funcionem direito nos aparelhos Blu-ray de código 1.
- Se você espera reproduzir sua coleção de vídeos baixados da Internet, fique atento para os formatos que o aparelho Blu-ray pode reproduzir. Em geral, eles são compatíveis com os populares XviD e DiviX, mas eles conseguem entender o arquivo de legendas? E o formato Matroska, para filmes 3D?
Sabendo disso, então o que deve ser observado na hora da compra? O primeiro item a se estar atento é o perfil do aparelho. O perfil é a versão de hardware do aparelho e indica quando o reprodutor foi produzido. Existem três tipos, ou perfis, de aparelhos Blu-ray:
- Perfil 1.0 é o modelo básico, que reproduz filmes de alta definição como se espera de um aparelho Blu-ray. Aparelhos com esse perfil foram os primeiros a ser lançados e foram fabricados até 1 de novembro de 2007. Os recursos desse perfil viraram a base obrigatória para os perfis subsequentes. Em geral, esse modelos, já obsoletos, são os mais baratos.
- Perfil 1.1 inclui a função “BonusView”, que permite ver os extras (making-off, storyboard, entrevistas e demais penduricalhos) num canto da tela (PIP) sem ter que parar o filme. Os aparelhos de perfil 1.1 tem mais espaço de armazenamento local e decodificadores secundários de áudio e vídeo (necessários para o PIP).
- Perfil 2.0, ou BD-Live, é o substituto do modelo 1.1. Com mais memória e espaço de armazenamento, ele pode conectar-se à Internet via porta Ethernet e acessar conteúdo online adicional para filmes e jogos. Alguns modelos são descritos como “BD-Live ready”, o que significa que falta-lhes a capacidade de armazenamento interno para suportar esse recurso, mas que você pode adicionar memória via USB para capacitá-lo ao download de conteúdo interativo da Internet.
![]() Na parte de trás do aparelho estão as conexões: HDMI, Ethernet (para aparelhos de perfil 2.0), som digital, AV e USB |
Conexões: Todos os reprodutores de BD incluem ao menos uma porta HDMI que pode transmitir áudio e vídeo sobre um único cabo. O HDMI suporta a resolução máxima de uma video Blu-ray bem como todos os formatos de áudio. A maioria dos filmes BD são armazenados com resolução de 1080p a 24 quadros por segundo e a maioria dos tocadores pode reproduzir esse formato via HDMI para uma experiência de cinema. A saída vídeo componente, que vem na maioria dos aparelhos, suporta alta resolução (HD), mas se limita a transformar o DVD em um formato de definição padrão (480p) devido à tecnologia de proteção à cópia nos DVDs comerciais (aí está um problema da codificação regional). Todos os aparelhos de BD vêm com uma porta Ethernet, e muitos têm WiFi integrado.
Formatos de som: há dois principais tipos de formatos de som surround com o DVD, Dolby Digital e DTS. O objetivo desses formatos era pegar o áudio do som surround – que é muito grande para caber em um DVD – e comprimi-lo para caber no disco. Os dois formatos usam o que é chamado de compressão com perdas de dados, o que quer dizer que alguma informação de áudio é jogada fora no processo de compressão. Não é uma solução perfeita, mas isso é feito de uma forma que você não perceba que está faltando informação. Como o disco Blu-ray tem mais espaço disponível, Dolby e DTS criaram novos formatos de trilhas sonoras com o objetivo de jogar fora menos informação e, consequentemente, melhorar a fidelidade do áudio. É o que se chama de áudio de alta resolução. Há cinco novos formatos de trilhas sonoras que você pode esperar ver no Blu-ray: Dolby Digital Plus, Dolby TrueHD, DTS-HD High Resolution, DTS-HD Master Audio e Linear PCM (LPCM).
Qualquer que seja o formato do disco que você pretende tocar no aparelho, para aproveitar a qualidade de som, o som precisa ser convertido primeiro para linear PCM. Esse processo de decodificação pode ser realizado ou pelo reprodutor de Blu-ray ou pelo receptor AV (leia Como funciona o home theater e Guia de compra de sistemas home theater). Quando o reprodutor pode fazer essa conversão, é dito que ele tem decodificação onboard, ou seja, o aparelho converte a trilha sonora para linear PCM, que então a envia para um receptor compatível via saída HDMI. A vantagem de um aparelho com decodificação onboard é que eles podem reproduzir as trilhas sonoras com resolução cheia nas saídas analógicas multicanais. Quando o aparelho não tem o recurso da decodificação, é necessário ter um receptor AV com descodificação onboard, que ficará responsável por decodificar o som para linear PCM.
![]() Os logos dos formatos de som suportados pelo aparelho de Blu-ray vêm estampados no produto |
Identificar os recursos de som do reprodutor de Blu-ray é fácil. Geralmente, os logos de cada tipo estão estampados no aparelho. A certificação Dolby é bem direta. Se o produto pode decodificar Dolby TrueHD, então o aparelho tem o logo Dolby TrueHD; se pode Dolby Digital Plus, então tem o logo Dolby Digital Plus; se pode os dois formatos Dolby, então ele vem com o logo padrão Dolby Digital. A certificação DTS é mais confusa. DTS-HD Master Audio e DTS-HD High Resoltuion têm logos estampados separadamente o aparelho pode decodificá-los. Mas se o produto vem apenas com o logo DTS-HD, quer dizer que ele só pode decodificar o DTS-HD High Resolution. Se ele não puder decodificar nenhum desses dois formatos, então ele exibe o logo DTS. Por isso verifique com o vendedor ou no manual do produto as especificações de som.
Para finalizar, você vai precisar de alto-falantes para som surround se quiser aproveitar a máxima experiência de som dos discos Blu-ray. Geralmente os alto-falantes já estão incluídos nos sistemas de home theater disponíveis no mercado, mas se esse não for o seu caso, você pode comprar o conjuntos de alto-falantes separadamente em loja de eletrônicos.
Vantagens da tecnologia Blu-ray
Graças à sua grande capacidade de armazenamento, o Blu-ray pode oferecer os seguintes benefícios:
- Resolução de vídeo seis vezes maior que a do DVD. No mundo digital, vídeo de qualidade depende de bit rate (taxas de transmissão de dados, medidas em bits por segundo, ou bps). DVDs podem entregar 8 Megabits por segundo (milhões de bits por segundo). HDTV pode alcançar 10 Mbps. Já o disco Blu-ray chega a 48 Mbps, com resolução cheia de 1080 x 1080 pixels. Dá para perceber com nitidez impressionante até os poros da pele de uma pessoa ou a textura das roupas em um filme de época.
- Som de qualidade superior – até 7,1 canais de som surround de alta definição sem perdas e opção para até 32 fluxos de áudio proporcionam uma experiência inesquecível aos ouvidos.
- Interatividade jamais vista – jogos podem estar integrados aos filmes e é possível interagir com eles se houver uma conexão com a Internet. É possível atualizações ao vivo de filmes, jogos, programas e eventos criados em torno do conteúdo de um disco Blu-ray. Se a idéia é somente assistir a um filme, o disco Blu-ray permite navegação por meio de menus pop up.
- Compatibilidade com formatos anteriores – o sistema do disco Blu-Ray (players, console de games e drives de disco) usa o mesmo padrão de tamanho do CD e do DVD (12 cm de diâmetro), por isso é compatível com os CDs e os DVDs da sua biblioteca. Isso quer dizer que você não tem que jogar fora seus filmes, shows, jogos e discos.
- Maior durabilidade – assim como o CD e o DVD, os discos Blu-ray podem ser pré-gravados (BD-ROM), graváveis (BD-R) e regraváveis (BD-RW), o que o transforma em uma mídia versátil. Além disso, os discos recebem uma camada de cobertura dura, que os protege de pequenos riscos e arranhões.
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O formato é tão eficiente que todos os estúdios de Hollywood já o elegeram como o sucessor do DVD que conhecemos hoje. Muitos desses estúdios já disponibilizam seus filmes em Blu-ray ao mesmo tempo que em DVD. Hoje já existem mais de 2.500 filmes disponíveis no formato Blu-ray.
Veja também:
| Print article | This entry was posted by admin on August 24, 2010 at 8:30 am, and is filed under Dicas, Tecnologia. Follow any responses to this post through RSS 2.0. You can leave a response or trackback from your own site. |






